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Tratamento de esgoto no Brasil: entenda como funciona e quais são os desafios

Saiba como o esgoto é tratado no país, por que ainda há riscos e o que podemos fazer

Publicado em 4 de novembro de 2025

Pela rotina cotidiana, raramente imaginamos a quantidade de substâncias presentes no esgoto doméstico. Detergentes, produtos de limpeza, resíduos de higiene pessoal e até medicamentos ingeridos acabam descendo pela tubulação. Mas o mais chocante é que o sistema de tratamento de esgoto no Brasil não elimina todas essas substâncias — muitas vão parar em rios, lagos e no mar.

A maioria das pessoas desconhece esse fato. Mesmo após o tratamento, ainda há poluentes lançados nos cursos d'água. Por isso, precisamos escolher com muito cuidado os produtos que utilizamos em casa e cobrar mais eficiência dos órgãos responsáveis pelo saneamento básico.

Neste artigo, vamos explicar como funciona o tratamento de esgoto no Brasil e quais tipos de poluentes o modelo convencional não é capaz de remover. Aproveite a leitura!

Panorama do tratamento de esgoto no Brasil

Antes de falarmos sobre o funcionamento, é preciso olhar para um problema ainda mais urgente: o acesso ao tratamento de esgoto. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em 2020, apenas 55% da população brasileira tinha coleta de esgoto.

As diferenças entre regiões são enormes: 80,5% no Sudeste e apenas 13,1% no Norte.

O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), lançado em 2007, estabeleceu como meta a universalização do esgotamento sanitário até 2033. Porém, os investimentos feitos estão muito abaixo do necessário — e estima-se um atraso de até 30 anos. Até lá, um volume gigantesco de esgoto sem tratamento continuará sendo despejado em ecossistemas aquáticos, afetando inúmeras espécies e prejudicando até nós mesmos, já que essa água retorna para consumo humano.

Educação: mais um desafio a ser enfrentado

As redes de coleta de esgoto são projetadas para receber 99% de líquidos e 1% de sólidos. Quando descartamos papel higiênico no vaso, restos de comida na pia ou óleo de cozinha no ralo, podemos causar entupimentos graves, rompimento de tubulações ou até o retorno do esgoto para dentro das casas.

Por isso, educação e conscientização precisam caminhar junto com obras e investimentos. Só com informação as pessoas passam a descartar corretamente seus resíduos.

Como funciona o tratamento de esgoto no Brasil

O primeiro passo é compreender a diferença entre esgoto doméstico e industrial. Os efluentes industriais possuem características específicas e, por lei, as empresas devem ter sistemas próprios de tratamento antes de despejar seus resíduos na rede pública.

Depois de coletados, todos os efluentes seguem para as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), onde passam pelas principais etapas:

1. Tratamento primário

Remove sólidos visíveis como areia, embalagens, objetos e gordura. Utiliza peneiras, grades e estruturas para separar materiais remanescentes.

2. Tratamento secundário

Foca na decomposição da matéria orgânica por processos biológicos.

3. Tratamento terciário

Inclui técnicas físico-químicas e biológicas para eliminar poluentes persistentes das fases anteriores, como nutrientes e compostos específicos.

Após esse processo, o efluente deve estar em condições de retornar à natureza. São analisados critérios como teor de matéria orgânica, sólidos, nitrogênio, fósforo, organismos patogênicos e substâncias químicas.

Poluentes emergentes resistem ao tratamento convencional

O maior desafio dos sistemas atuais é lidar com os chamados poluentes emergentes ou micropoluentes. Esses contaminantes incluem:

  • agrotóxicos
  • medicamentos
  • hormônios
  • produtos de higiene pessoal
  • produtos de limpeza

A detecção desses micropoluentes exige tecnologias complexas, pois aparecem em baixíssima concentração. Porém, por uma limitação legal, o Brasil não monitora esses poluentes nas ETEs — e eles resistem aos processos convencionais. Isso significa que, mesmo tratado, o esgoto ainda carrega substâncias tóxicas para ecossistemas aquáticos e para a saúde humana.

E mesmo em países altamente desenvolvidos, pesquisas ainda não encontraram soluções realmente eficazes para remover micropoluentes. Tecnologias como processos oxidativos e biorreatores de membranas estão em teste, mas ainda não resolvem totalmente o problema.

Por isso, a única alternativa no momento é reduzir a emissão de micropoluentes. E essa mudança começa dentro de casa: sendo consumidores conscientes e evitando produtos que liberam resíduos tóxicos.

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